



Uma flotilha de seis embarcações - liderada pelo navio Mavi Marmara - tinha a bordo 750 tripulantes e ativistas de 38 nacionalidades e dez mil toneladas de ajuda humanitária à população de Gaza...
Para dar respaldo das boas intenções da empreitada estavam embarcados a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz Mairead Corrigan Maguire, da Irlanda do Norte, e o escritor sueco Henning Mankell, além da cineasta paulista Iara Lee...
O comboio marítimo saiu de Istambul, na Turquia, há dez dias...
No domingo passado as embarcações ancoraram ao largo de Chipre, que se negou a recebê-los...
Depois do comboio ignorar as ordens da Marinha de Israel de não avançar em direção à Cidade de Gaza, comandos israelenses, com apoio de helicópteros, invadiram e tomaram controle da primeira embarcação...
As mulheres receberam ordens de se esconderem e os homens das força de ajuda humanitária resolveram reagir...
Daí uma curiosidade surpreendente...
O exército israelense é descrito como o mais bem treinado, armado e competente do planeta...
Não é o que se presenciou na invasão pastelão do Mavi Marmara...
Chegou a ser cômico os recrutas israelenses descendo destrambelhados pelas cordas como se fossem candidatos a escoteiros e serem pegos de porrada...
Isto mesmo, soldados israelenses com equipamento de última tecnologia tomando tapas...
Caso os ativistas tivessem sequer gás de pimenta teriam botado para correr todo o efetivo israelense...
Não compreendo esta decantada competência bélica de Israel...
Ações efetivas de soldados israelenses tem sido ataque à civis desarmados trucidando crianças, mulheres e velhos ou botando tanque de guerra prá cima de palestinos que respondem com paus e pedras...
O vice-chanceler Danny Ayalon chamou a flotilha de "armada de ódio e violência"...
O ministro da Defesa, Ehud Barak, culpou os organizadores pela tragédia...
Israel apresentou uma quantidade de facas aprendidas nos navios que é compatível com talheres que qualquer restaurante de beira de estrada possui...
A desculpa recorrente é que o Hamas estaria sendo municiado por ativistas...
Não duvido nada se aparecerem bombas, fuzis e granadas plantadas no Mavi Marmara...
Agora, o mais grave é que Israel se arvora no direito de atacar quem bem entender em águas internacionais...
O clamor mundial contra a covarde morte dos 9 ativistas aprofunda o isolamento de Israel, o tornando uma unanimidade mundial...
A indignação mundial pacífica vai se somar as retaliações que certamente virão em forma de homens bombas...
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Infelizmente...
É só aguardar...
Jorge Schweitzer