segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O Silêncio da Bezerra...































Quando o senador Joaquim Roriz foi pilhado sendo presenteado com cheque de 2,2 milhões de reais de Nenê Constantino fiquei com a pulga atrás da orelha direita surda e da esquerda duvidosa...

Puerra...

Roriz é tão bilionário quanto Nenê...

Impossível crer na explicação do Roriz que aquilo se tratava de empréstimo pessoal do amigo Nenê...

Alegou que pediu grana emprestada para adquirir uma bezerra de 300 mil reais e a diferença teria sido devolvida ao compadre...
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Nenê surpreendeu, mais ainda, ao afirmar haver guardado os 1,9 milhão em grana viva debaixo de seu colchão...

Improvável...

Roriz acabou renunciando o mandato de senador para esquivar-se de decifrar o enigma da novilha premiada...

A explicação agora parece ressurgir das entranhas do esquecimento cooptado em troca de animais quadrúpedes pagos para sepultar um crime de assassinato de um bípede racional...

Em 12 de outubro de 2001 o desempregado Márcio Leonardo de Souza Brito foi executado com três tiros na porta de casa...

Márcio liderava a ocupação de terreno que pertencia ao rico empresário Nenê Constantino numa periferia de Brasília...

Na época Roriz era governador da mesma Brasília...

Nenê tentou negociar pessoalmente com Márcio Leonardo...

Ameaçou-o de morte...

Em 9 de outubro daquele ano foi ao local e deu ultimato aos invasores:

“Vocês vão sair daqui na bala ou na taca”...

O que é “na taca”?

Não sei...

Na bala?

Sei...

No dia 11, um homem identificado como funcionário de Constantino procurou o líder invasor por volta da meia noite que aguardava resposta para tentativa de acordo com Nenê para abandonar o local e o matou após soletrar:

“Olha aqui sua resposta!”...

A investigação foi engavetada durante todos os anos que Roriz comandou Brasília...

Agora a polícia reabriu o inquérito...

Nenê Constantino deverá ser indiciado como mandante de assassinato...

Sua novilha de 300 mil custou três tiros...

100 mil cada bala...

Tá explicado o silêncio da bezerra...


Jorge Schweitzer





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